
O ator Selton Mello afirmou que estava em depressão quando fez o personagem-título do filme "Jean Charles", sobre o eletricista mineiro morto por agentes britânicos em uma estação de metrô de Londres em 2005, que estreia no próximo dia 26 com 160 cópias em todo o Brasil. "Fiquei deprimido por motivos pessoais. Vivi uma grande dúvida sobre continuar ou não fazendo isso [ser ator], passar tanto tempo longe de casa e da família. Mas isso acabou ajudando a compor o Jean Charles. A solidão e a saudade que eu sentia devem ser algo parecido com o que ele sentiu".
Selton comentou a fase de superexposição que vive nos cinemas – "Jean Charles" estreia apenas três semanas depois da comédia romântica "A Mulher Invisível", que continua em cartaz. "Se eu tivesse controle, não programaria os dois para o mesmo mês. Ninguém gosta de superexposição. Quem me ama vai me adorar mais ainda, e quem me acha um zé mané vai me odiar ainda mais. Mas esses não precisam se preocupar, depois deste filme vou sumir por um bom tempo", brincou.
"Não quis fazer um filme sobre a morte do Jean Charles, mas sobre uma celebração da vida dele e das comunidades brasileiras no exterior", disse o diretor Henrique Goldman, que vive há 17 anos em Londres.
Diretor de um filme pouco conhecido, "Princesa", Goldman optou em "Jean Charles" por misturar atores profissionais (Selton, Vanessa Giácomo, Luís Miranda) com brasileiros que moram e trabalham em Londres. Essa mistura é a fraqueza e a força do filme: se em algumas cenas nota-se o despreparo dos atores "amadores", a atuação espontânea deles e os planos abertos que mostram a agitação de Londres tornam o filme mais vivo e interessante.
A atuação sempre competente de Selton Mello segura bem "Jean Charles", mas quem brilha mesmo é Vanessa Giácomo (das novelas "Cabocla" e "Paraíso"), como a inocente prima Vivian, que acaba de chegar da pequena Gonzaga (MG) para a caótica Londres. Goldman filma quase sempre em plano aberto, mas é a ela que dedica os poucos closes do filme, mostrando a sua transformação de caipira em mulher madura, e encerrando "Jean Charles" numa boa cena em que Vivian supera simbolicamente o trauma da morte do primo. |